quarta-feira, 30 de setembro de 2009

R.I.P. Achocolatado (Descanse em paz)

Uma pessoa distraída para mim é aquela pessoa atrapalhada, um pouco descuidada. Que às vezes não ouve o que as pessoas falam, esbarra nos móveis sem causar muito estrago, que ocasionalmente esquece algumas tarefas.
Escovar os dentes parada é uma de minhas tarefas mais difíceis, eu tento me focar no espelho, mas quando dou por mim já estou andando pela casa a procura de algo para continuar a fazer no mesmo instante. Esquecer bolos, tortas no forno? É rotina. E eu não me orgulho disso. Certa vez minha mãe ofereceu dinheiro para que eu não queimasse o arroz. Olhei para o relógio, repeti a hora umas trinta vezes sem parar e fui fazer alguma outra coisa. Porém, lá estava a panela com o fundo preto, com aquele cheiro horrível novamente.
Hoje o telefone tocou e eu atendi, era uma prima minha contando as novidades. Com o telefone preso no ombro, resolvi começar meu café da manhã ali mesmo, junto com a conversa. No momento em que peguei o achocolatado, o telefone simplesmente pulou do meu ombro direto para a pia. Se ela ao menos estivesse vazia... Ele encontrou uma panela do dia anterior, cheia de água e Tchi-Bum! Resolveu dar um mergulho (não me perguntem como, mas ele sobreviveu. O achocolatado não).
Quando tenho compromissos no dia, acordo horas antes para me certificar de que não vou me atrasar. Só que há sempre uma intervenção. E normalmente é supérflua. Como rever um episódio de seriado, por exemplo. Eu calculo, subtraio e divido. Mas o tempo nunca está ao meu lado.
Eu causo estrago, eu esqueço e me distraio facilmente, faço tudo ao mesmo tempo (enquanto escrevo este texto, arrumo o quarto).
Entende o que quero dizer? Se estas fossem as únicas histórias que tenho, eu ficaria até feliz. Fiz coisas que até Deus duvida. E se alguém contasse eu certamente não iria acreditar (se eu não fosse EU, claro).
Contudo, levando em consideração o meu dia-a-dia peno em dizer que talvez eu tenha passado de uma mera pessoa distraída para uma com tendências ao DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção).

"Um âmbito de atenção pequeno é a identificação desse distúrbio. Pessoas que sofrem de DDA têm dificuldade de manter a atenção e o esforço durante períodos de tempo prolongados. Sua atenção tende a vagar e freqüentemente se desligam da tarefa, pensando ou fazendo coisas diferentes da tarefa a ser realizada. Ainda assim, uma das coisas que muitas vezes enganam clínicos inexperientes ao tratar desse distúrbio é que as pessoas com DDA não têm um âmbito pequeno de atenção para tudo. Freqüentemente, pessoas que sofrem de DDA conseguem prestar muita atenção em coisas que são bonitas, novas, novidades, coisas altamente estimulantes, interessantes ou assustadoras. Essas coisas oferecem uma estimulação intrínseca suficiente a ponto de ativarem o córtex pré-frontal, de modo que a pessoa consiga focalizar e se concentrar. Elas precisam de excitação e interesse para acionar suas funções do córtex pré-frontal."
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A questão é que quando me excita, eu vou até fundo demais. "(...) Começam muitos projetos, mas terminam poucos (...)"
O que me consola é que não sou a única no mundo (calcula-se que o DDA afete 17 milhões de norte-americanos) e que há pessoas aí fora que também caem em suas próprias armadilhas.
Embora seja até engraçado, acaba tornando-se por vezes irritante. E você se pega frustrada por saber que não o faz de propósito. Antes fosse.

Para terminar, deixo aspectos positivos do DDA:

Sensibilidade; Compreensão dos sentimentos alheios; Sentimentos profundos (pesarosamente profundos); Naturalmente criativos (incluindo a solução de problemas); Inventivos; Freqüentemente vêem as coisas de uma perspectiva peculiar; Bons em encontrar coisas perdidas (como pessoas em uma multidão); Têm percepção acurada; Cômicos; Espontâneos; Engraçados; Energéticos; Abertos, transparentes (até demais); Não guardam ressentimentos; Rápidos nas atividades que gostam de realizar; Difíceis de enganar; Penetram as pessoas e situações vendo além das aparências; Seguros; Sociáveis; Multidisciplinares; Originais; Observadores; Leais; Tendidos a realizarem tarefas porque querem e não porque devem (true). Artigo completo


"Oriente-me. Eu sou uma confusão. Vire a página. Sou um livro lido pela metade."

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